Pai de 11 filhos, todos vivos, 38 netos, 56 bisnetos e quatro trinetos, seu Jacob mora em Palotina desde 1954
Logo quando acorda, o agricultor Paulo Jacob Hochscheidt serve um mate amargo antes de iniciar a rotina de lida diária em seu sítio de três alqueires localizado no distrito de São Camilo, interior de Palotina. Até aí tudo normal, não fosse a idade de Jacob: na próxima segunda-feira, dia 28 de junho, ele completa 100 anos, com uma lucidez e vitalidade espantosas. A festa que os familiares estão preparando para este centenário pioneiro do distrito e do município será realizada sábado, dia 3 de julho, no clube Concórdia, em são Camilo, estão sendo esperadas 200 pessoas. A missa será rezada pelo frei Levi.
Pai de 11 filhos, todos vivos, 38 netos, 56 bisnetos e quatro trinetos, seu Jacob mora em Palotina desde 1954. A filha mais velha tem 75 anos e o mais novo 52. Natural de Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, tem memória privilegiada. “No começo era tudo mato. Nosso trabalho era derrubar a mata fechada: enfrentávamos feras como onças, jaguatiricas e outros animais selvagens, em uma terra inóspita e carente de tudo”, lembra. Ele escolheu a região Oeste para fugir das pirambeiras gaúchas e catarinenses e se encantou com as planícies oestinas. Chegou a percorrer, em várias ocasiões, mais e 20 quilômetros a pé, de São Camilo a Palotina, beirando o rio Piquiri, em busca de mantimentos. “Quando cheguei aqui, Palotina era um sertão e aqui tinham apenas quatro casas”.
Hoje, seus filhos é quem comandam a propriedade, apesar de Jacob gostar de ajudar a cortar lenha. “Quando posso, gosto de carpir”, conta. Dentro de casa, seu prazer, além do mate amargo, é a conversa com os familiares, sempre acompanhado de um cigarro de palha. Jacob fuma seu palheiro há incríveis 72 anos.
“A sensação de chegar aos 100 anos é única”, diz. “Sinto muita felicidade. Jamais imaginava, quando era novo, que atingiria essa idade. Me sinto muito bem e contente em reunir a família neste momento”. A saúde está bem, apesar de dificuldades para andar que o idoso enfrenta. A família se preocupa com a saúde do patriarca e ele sempre é levado para exames médicos de rotina para acompanhar sua ficha médica. Estudou apenas até a segunda série do primário, mas fala alemão fluentemente, já que seus pais são nascidos naquele país.
Mesmo enfrentando feras e toda sorte de dificuldades ao longo de um século, apenas um medo toma conta de seu Jacob: o de viajar de avião. “Lá em cima não tem segurança. Prefiro ir de carro”, relata. Para ele, que é avô de aviador, chances de voar não lhe faltaram, mas nunca tirou os pés do chão. “Tenho medo, o avião pode cair”, brinca.
Fonte: Asessoria PMP/Cristiano Viergutz |