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  06/04/2010
Como surgiu a gripe A?

Como surgiu a gripe A e como o vírus H1N1 ameaça a saúde da população? Quem conversa com a gente sobre essas e outras questões é o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri. A segunda etapa da campanha de vacinação do Ministério da Saúde vai até o dia dois de abril. Nesse período, gestantes, crianças com seis meses e até dois anos de idade incompletos e doentes crônicos vão ser vacinados. Doutor Kfouri, por que essas pessoas têm mais risco de ter complicações ao contraírem a Gripe A?
Renato Kfouri:
"Os dados tanto mundiais como brasileiros em relação a primeira onda, a primeira epidemia do ano passado do inverno desse vírus, os dados mostraram que os grupos mais acometidos foram os adultos jovens, as crianças menores de dois anos, gestantes e portadores de doenças crônicas. Então esses grupos devem ser priorizados. Particularmente as crianças com esse vírus H1N1, pela sua imaturidade imunológica, desenvolveram doenças mais graves com taxas de hospitalização mais elevadas do que a população em geral. E os indivíduos que são portadores de alguma doença crônica, eles têm já a sua imunidade comprometida por esta doença e a aquisição do vírus H1N1 comprometeria ainda mais, seria uma agravo maior à sua saúde.

E quanto às grávidas?

"Gestantes, que já estão numa condição imunológica rebaixada por conta de gestação e além disso, a própria contração pulmonar, o volume uterino que cresce na gestação também as mantém num grupo de risco, ou seja, propicia que a doneça venha com maior intensidade."

Algumas gestantes estão com medo de tomar a vacina. Elas temem que o vírus possa infectar o bebê. Esse risco existe?

"Este é um grande equívoco. A vacina contra a gripe que é produzida já há anos da mesma forma, é feita com o vírus morto, inativado. Então nós separamos o vírus, matamos o vírus, fragmentamos esse vírus, ou seja, são fragmentos do vírus morto, que estão injetados e estão responsáveis pelo estímulo da produção de anticorpos, o que nós chamamos de imunização. Então não há nenhum risco de a pessoa que recebe a vacina desenvolver alguma coisa que lembre a doença. Muito menos atrapalhar a gestação, influenciar na formação do feto, levar a abortos, más-formações."

Como surgiu o vírus H1N1?

"O vírus H1N1 é uma variante do vírus influenza que tem uma característica de não acometer só humanos. Ele acomete também outras espécies de animais como aves, cavalos e porcos. Então quando há um rearranjo, uma combinação genética do material genético de diferentes cepas de vírus há sempre a possibilidade do surgimento de uma variante muito diferente do vírus que circulava até então entre os humanos. E assim houve com a gripe espanhola, a gripe asiática. E agora, no México, em abril do ano passado, uma recombinação de cepas de vírus humano e duas partes do vírus suíno deram origem a uma nova variante do vírus influenza, que é essa variante chamada H1N1."

Então esse vírus ainda pode sofrer mutações?

"Esse é o risco que o vírus influenza sempre oferece. Talvez a sua principal característica seja a sua capacidade de mutação. Ano a ano ele se modifica um pouquinho, por isso que a cada ano surge uma vacina nova para aquela temporada do vírus influenza porque esse vírus sofre uma pequena modificação e as vacinas são ajustadas a essa modificação."

E a população corre o risco de ser infectada por uma nova versão do vírus?

"Essas modificações também não ocorrem da noite para o dia. São modificações lentas que geralmente se sucedem depois de duas, três temporadas de circulação daquele vírus. Portanto, é possível, mas é pouco provável que tenhamos uma variante muito diferente circulando neste inverno do que a variante que circulou no inverno passado. Se houver uma mutação é muito pequena, o que traduz numa eficácia vacinal, numa efetividade da vacina muito semelhante aquele vírus que foi desenvolvido a vacina e a pequena variação que ele possa ocorrer."

Doutor Renato Kfouri:
"Eu queria convocar a todos para participarem da campanha de imunização, vindo até aos postos de saúde receber a vacinação contra a influenza A, H1N1.Os grupos de risco são mais atingidos pela doença e por isso precisam ser vacinados. Então você, que tem filho com menos de dois anos de idade, portadores de alguma doença crônica e gestantes não deixem de comparecer e se proteger contra mais essa enfermidade.

Nós acabamos de conversar com o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, doutor Renato Kfouri, que esclareceu dúvidas sobre o vírus H1N1. E não esqueça. A segunda etapa de vacinação vai até o dia dois de abril. Grávidas, crianças de seis meses a dois anos incompletos e doentes crônicos devem procurar o posto de saúde mais perto de casa.
 
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